A pequena dor da indispensabilidade

Tenho por princípio de vida de que todos os que escolhem partilhar a sua vida connosco, seja pessoal ou profissional, são indispensáveis.

Mas apenas o são, até se irem embora. 

Essa volatilidade da indispensabilidade é marcante. Ou aprendemos a viver com isso, ou morremos em todas as praias e todas as ruas. 

Nunca nos mudamos, procurando novo amor ou emprego,  para sermos o maior da rua. mas sim para sermos a Rua, a Praça e ou a Avenida.

Muitas vezes ficamos por ser Calçada.

Ou em casos não raros, beco sem saída.

Procuramos o valor que temos nas coisas que não têm valor.

Dizia (e digo) não poucas vezes, que somos pó das estrelas. Não sou o único. Também não o único que diz que o que nos faz, é o que faz estrelas e planetas. Só mero acaso universal somos pessoas e não astros.

Não somos tão importantes como isso.

Não somos tão relevantes.

A não ser para aquelas pessoas. Para aquelas em que o nosso valor é maior do que a nossa presença. Por tudo o que se traz. Por tudo o que trazemos.

Por tudo o que levamos. Pela equipa que se cria, seja numa relação ou num emprego.

Mas há uma tristeza pelas pequenas traições. Pela amargura indevida. Pelo confronto latente entre almas conturbadas...

Ou o silêncio que fica, quando não resta ninguém, a não ser quem fecha a porta...


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